Histórias a parte...
 

Nesta página resolvi colocar algumas passagens da minha história com a música. Qualquer

semelhança é apenas mera coincidência...

O começo...

 

"Nasci em 02 de Janeiro de 1978, em São Paulo ( SP ). Tive a felicidade de ter um pai que gostava

de tocar seu violãozinho Giannini de vez em quando. Tá certo que ele sempre tocava a mesma

música, mas eu adorava vê-lo tocar. Quando tinha 2 anos e estava começando a falar, minha

mãe gravou uma fita comigo cantando: "Terezinha de Jesus...". Infelizmente perdi esta fita.

Me lembro bem de como tudo começou. Um belo dia meu pai chegou em casa com um pacote.

Era um pacote comprido e dentro estava um tecladinho Cassiotone, da Cassio. Era uma maravilha

na época, em 1983. Acho que foi um dos presentes que mais gostei na vida. Brincava sempre com

ele, e brincando de juntar as notas saiu uma musica simples que resolvi chamar de " O Amor".

Um ano depois, em 1984 meus pais vendo que eu levava um pouco de jeito pra coisa resolveu me

matricular em uma escola de piano, que ficava na Av. Francisco Morato. Estudei por um ano, mas

como no final de ano havia a apresentação de fim de ano dos alunos, eu acabei desistindo pelo

medo de subir no palco. Medo esse que me acompanharia pelos próximos anos. Era muito acanhado

para tocar na frente dos outros. Tinha vergonha. De vez em quando eu pegava o violão dele

e ficava tentando tocar, era muito engraçado.

O teclado eu tenho até hoje e por incrível que pareça ele ainda funciona....

 

A Coisa Tá Feia

 

"Me lembro bem da primeira vez em que reparei no som de uma viola. Isso aconteceu quando

eu tinha 5 anos, na casa de meu avô. Ele era zelador de um prédio que ficava na Alameda

Joaquim Eugênio de Lima, nos Jardins em São Paulo. Isso aconteceu em 1983. Meus avôs

adoravam escutar rádio, naquela época em que as duplas caipiras tocavam nas estações AM

( sim, eu ainda peguei está época ). Me lembro de um dia em que meu avô estava fazendo um

conserto no sotão do apartamento dele. O rádio estava ligado e de repente começou a tocar a

introdução de uma música e me lembro bem que o um som muito bonito ecoava pelos corredores

do apartamento ( que era bem grande ). Era o som da viola do Tião Carreiro e a música era

"A Coisa Tá Feia", o mais recente lançamento da dupla Tião Carreiro e Pardinho. Na época é lógico

eu nem fazia idéia do que era aquilo. Somente 15 anos depos é que eu voltaria a ouvir aquela

música...era a primeira vez que eu encontrava a viola.

 

 

Os quatro Sus

 

Meu pai tocava desde pequeno e quando tinha seus doze anos tocava em um conjunto chamado

WEG. Tinha um amigo chamado Wilson que tinha uma grande amizade com ele. Em 1986 meus pais

se separaram e ele se casou com uma professora de teclado chamada Ângela. Juntos eles montaram

uma banda para tocar em festas de casamento chamada "Sus Four". Eu sempre ia vê-los tocar.

Me lembro da sensação de ouvir nos casamentos que ela tocava o som dos trompetes, saxofones,

bateria, teclado. Aquilo me arrepiava a alma. Era poderoso demais pra mim. Nesta época eu morava

em um prédio no Butantã, na Rua M.M.D.C. e vivia tentando ensinar meus amigos a tocar. Talvez

a veia de professor nasceu ali. Quando tinha doze anos fui a mais uma daquelas festas de

casamento em que eles iriam tocar. Tinha uma percussãozinha eletrônica que ficava ligada, mas

que ninguém tocava. Resolvi então me arriscar. Sabia batucar bem...quem sabe dava certo. Foi

um desastre. Dei três batidas e meu pai olhando bravo falou para mim me sentar e ficar ali quieto.

Um outro dia novamente, nova festa, mais uma vez lá estava eu e aquela coisa. E falei pra mim

mesmo: "Hoje eu toco!!!". Fui, toquei e fiz direitinho. Meu pai vendo que não tava tão ruim assim

deixou eu ficar ali e assim entrei pra banda. Foram dois anos até que minha madrasta ficou grávida

de minha irmã e a banda se desfez. Nesta época eu morava com meu pai. Ele não tinha tempo

pra me ensinar, mas de vez em quando eu pegava a guitarra dele e ficava tentando, tentando,

tentando..."

 

 

Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos

 

"Quando eu tirei férias da escola, no fim de 1992 eu viajei para Boituva, ficar uns 15 dias na casa

do meu tio. Nesta ocasião, Flávio ( o então namorado da minha prima Márcia ) e toda a

família se reuniu. O Flávio era um baita cara legal. Gente boa mesmo e eu gostava muito dele.

Ele sempre trazia a tiracolo seu violão. Um dia sentado na varanda e brincando com o violão

dele eu comecei a achar umas notas e num piscar de olhos eu estava solando uma música

do Roberto Carlos que o Caetano Veloso havia acabado de gravar. A música era "Debaixo dos

Caracóis dos Seus Cabelos". Me lembro da cara de espanto da minha prima pois até então

eu não sabia tocar nada...

 

 

Hey Jude

 

"Dia 3 de Dezembro de 1993, uma sexta-feira, show do Paul McCartney no Pacaembú. Era a segunda

vez que o ex-beatle vinha ao Brasil. Na primeira vez eu tinha apenas 12 anos e nem fiquei sabendo

da vinda dele. Agora aos 15 eu tinha a oportunidade de ir vê-lo. Saí do serviço umas 17:30hs e fui

para o show. Sozinho...já tinha uma certa independência nesta época. Pacaembú lotado, cerca de

80 mil pessoas com o mesmo desejo que o meu. Paul entra no palco e o show começa, mesclando

músicas dos Beatles e de sua carreira solo. Este show teve dois momentos inesquecíveis pra mim.

O primeiro quando ele tocou "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band", culminando no fim da música

em um dos maiores duelos de guitarras que vi na minha vida. Depois quando ele começou a tocar

"Hey Jude". A emoção foi tão forte que não consegui conter as lágrimas. Nunca chorei na frente de

tanta gente, mas ao olhar para o lado e ver que não era só eu, me senti tranquilo. Nunca vou me

esquecer do coro de 80 mil vozes cantando "na nanananana nanana Hey Jude"."

 

 

Rei do Gado

 

"Em 1996 eu estava dando tudo de mim para poder tocar. Era um sonho de infância poder pegar

o violão e tocar. Tinha aquela visão romântica de um dia poder tocar as baladas do James

Taylor para minha namorada. O violão sempre me evocava cultura. Tocar violão era coisa

de gente culta e cool. Foi então que com muito sacrifício eu consegui pegar o jeito da coisa.

Nesta mesma época estava passando uma novela chamada "Rei do Gado". No elenco tinha

dois músicos, um que eu já conhecia desde pequeno, Sérgio Reis e outro que eu não

conhecia muito bem. Era o Almir Sater e a única coisa que eu sabia a respeito dele era que

ele tinha gravado a novela Pantanal. Lembro que eu ficava pasmado ao ver ele tocar aquele

"violão". Não conseguia entender como ele fazia aquilo. Lembro de uma cena da novela em que

ele estava deitado em uma rede e tocando o "violão" e o som que saia da TV parecia

não ser compatível com a cena. Cara...tinha notas demais naquilo. Uns dias depois fui

atrás de algum CD dele para poder ouvir com mais atenção aquilo. Estava entrando na fase

da música acústica. Já tinha passado pela fase do rock ( mas meu amor pelos Beatles

continua até hoje ), pela fase do Blues elétrico de Eric Clapton, pelo Blues acústico do

Robert Johnson e parecia que cada vez que eu cavava mais fundo eu ia descobrindo coisas

novas. Depois do Blues eu comecei a tocar violão e descobri a MPB de Caetano e Gil.

E foi aí que descobri Almir Sater e uma coisa nova. Ao olhar a capa do CD dele, eu vi que

o violão que ele tocava não tinha 6 cordas e sim...10 cordas!!!! Foi aí que eu descobri o

que era a viola e para mim ficou muito claro que era aquilo que eu queria fazer da minha vida.

Um pouco depois disso uma revista chamada Guitar Player, que apesar do título em inglês,

era e ainda é uma publicação feita aqui no Brasil, publicou uma grande matéria sobre viola.

Assim pude conhecer um pouco mais sobre o instrumento e decidi comprar uma. Só que eu

acabei comprando foi um violão de doze cordas. E aí comecei....

 

 

Você precisa ouvir Tião Carreiro...

 

 Nesta época você não encontrava nada sobre viola. Ainda não tinha internet, não havia

professores, não havia informação, nada. O negócio era comprar os discos, escutar e tentar

entender o que eles faziam. Como eu já tocava violão, eu afinava a viola com a mesma afinação.

Tinha um senhor que trabalhava com meu pai chamado João. Ele já tivera uma dupla antes e

até chegaram a ganhar um festival organizado pela Record. Comecei a ouvir música caipira pelo

básico: Tonico e Tinoco além de Almir Sater, até que um dia o João me disse que eu tinha que

escutar Tião Carreiro. Já tinha ouvido falar naquele nome e então fui atrás de alguma coisa dele.

Tinha um ponto de táxi embaixo da passarela do Aeroporto de Congonhas e lá tinha um cara

que vendia fitas piratas de discos. E lá eu achei três fitas do tal do Tião Carreiro. Comprei as fitas

e ao chegar em casa e por para escutar, veio uma batida forte, ritimada que parecia pesar uma

tonelada. A música era "A vaca já foi pro brejo". Fiquei maluco com aquilo. Era muito poderoso e

ao mesmo tempo muito primitivo. Curti muito aquele som. Também nesta época eu passei a

fazer aulas de violão e um dia levei a fita que eu havia acabado de comprar com aquela

música. Pedi para meu professor tirá-la pra mim e então ele me disse que ia me mostrar uma

coisa. Pegou o violão de 12 cordas que eu tinha e afinou em Mi aberto ( Cebolão em Mi Maior ).

Me deu para tocar e me disse que essa era a afinação que os violeiros usavam. Pra falar

bem a verdade eu não entendi muito aquilo e voltei a usar a afinação de violão. Somente

dois anos mais tarde é que eu viria a afinar a minha ( já ) viola de 10 cordas na afinação

aberta e foi aonde tudo se encaixou perfeitamente. Parecia que eu tinha nascido para aquilo.

Em pouco tempo eu já dominava o instrumento, como uma espécie de feitiço. Então li uma frase do

Almir que dizia "Não é você que escolhe a viola, é ela que te escolhe". Bom então é isso..ela que

me escolheu...

 

 

"Navegando pelo rio"

 

"Em Novembro de 1999 eu conheci minha esposa. Ela morava em Curitiba e eu em São Paulo.

Na primeira vez que ela veio para cá eu a levei no teatro TUCA para assistir um show

do Almir Sater. Era 27 de Novembro de 1999. O show foi maravilhoso. Muito bom mesmo.

Quando estávamos indo embora para minha casa disse a ela que eu sonhava em um dia ser

um grande violeiro ou músico, sei lá. Ela, com aquele ar de garota apaixonada me disse que

eu iria ser o maior. Coisas de mulher apaixonada...

Em Dezembro daquele ano eu comprei uma viola nova, uma Giannini C3 toda clarinha. Era

linda, pois minha Del Vecchio já tava bem baleada e resolvi ver o que eu podia fazer da

vida com música. Fui a uma escola fazer um teste. Queria entrar para uma faculdade

de música. Estudar música á sério. O primeiro teste que fiz foi para guitarra. Eu tinha

uma guitarra Samick bojuda de Jazz. Uma linda guitarra. Quando cheguei para fazer o teste

um professor com muita má vontade me recebeu. Pedi para ele que me avaliasse e me

falasse o que eu precisava estudar para prosseguir. Toquei para ele e no fim quando perguntei

pra ele o que eu precisava ele me disse "TUDO". Fiquei tão chateado que até desisti do teste

que eu tinha marcado com o professor de baixo. Quando cheguei em casa e olhei a minha

violinha nova em cima do sofá eu pensei: se é pra começar do zero, que seja então com ela.

Nesta época havia uma revista chamada Country Music, e era a única coisa em que

você achava alguma coisa pra viola. Nesta revista tinha um cara que ensinava algumas

coisas sobre o instrumento. Comecei seguindo aquilo, mas vi que era insuficiente, então

fui procurá-lo pessoalmente. Seu nome era Rui Torneze. Liguei pra ele e perguntei se havia

alguma faculdade que tinha aula de viola. Ele me falou da ULM, e então marquei um encontro

com o mesmo no SENAC da Lapa, aonde ele dava aula. No dia 5 de Fevereiro de 2000 eu fui

até lá com minha Giannini debaixo do braço já decidido a estudar por um ano e tentar

a faculdade. Não fazia a mínima idéia de como eu poderia levar a vida como músico. A

única coisa que te passa na cabeça a princípio é que você vai ficar bom, então vai

gravar um disco, ficar famoso, essas coisas... Cheguei lá e toquei pra ele uma música que eu

havia acabado de compor. Era "Rio Sorocaba", a primeira música instrumental minha na viola.

Ele gostou e me colocou no segundo módulo do curso que já estava em andamento.

Também me falou que tinha uma orquestra e que se eu quisesse, poderia participar. Como

eu queria seguir aquele caminho, entrei para a Orquestra Paulistana de Viola Caipira.

 

 

"Oi prazer, sou o Carreirinho"

 

"A orquestra estava ainda engatinhando naquela época. Nem uniforme tínhamos direito e

ensaiávamos em uma distribuidora de botijão de gás. E um monte de gente fumando em volta

daquele muro de botijões. Era de dar medo... O primeiro show com a orquestra aconteceu

no dia 26 de Fevereiro de 2000, em Guarulhos. Éramos apenas 6 em cima do palco, mas

fizemos um bom show. Um outro show já estava marcado para o dia 12 de Março daquele

ano. Era uma homenagem que uma mulher chamada Áurea Fontes iría promover para

um dos maiores nomes da música caipira: o Carreirinho. No dia do show aconteceu uma

coisa que talvez nunca me esqueça. Estávamos no camarim esperando para entrar no

palco. Eu estava na porta vendo o público quando de repente se inicia um certo alvoroço.

Um senhor baixinho ( mais bem baixinho mesmo ) adentra no recinto e vai cumprimentando

um por um. Era ele!!! Do nada ele vem até a minha direção, estica o braço e muito

cordialmente me diz: "Oi, prazer, sou o Carreirinho"

 

 

Foto tirada em 12 de Março de 2000: eu e o Carreirinho

 

 

"Ensine o que você sabe !!!"

 

"Já ensaiava com uma banda há uns meses. Era Fevereiro de 2000, nesta época estava estudando

e tocando com a orquestra de violeiros chamada Orquestra Paulistana de Viola Caipira. Um dia

no ensaio o batera, Abôndio era o nome dele, disse que o filho de um amigo seu queria aprender

a tocar baixo. Falei pra ele "puxa que legal, espero que ele consiga". Então ele perguntou se eu

queria dar aulas pra ele. Rindo falei: "Mas o que é que eu vou ensinar pra ele????. Ele me deu

dois tapinhas nas costas e me falou: "Ensine o que você sabe!!!". Em 1 de Março de 2000 eu

comecei minha carreira de professor e como músico profissional, carreira que amo e sigo até

os dias de hoje. Um pouco insatisfeito com a banda, eu sairia dela em Setembro daquele ano."

 

 

"Nelson Barbosa"

 

"Já estava bastante seguro com a viola no fim daquele ano de 2000. Já dava aulas de viola,

estava fazendo bastante shows com a orquestra, conhecido bastante gente no meio e

meio que já sabia o que fazer da vida. Um amigo meu da orquestra, o Sílvio me disse

que ele tinha um amigo que estava precisando de um violeiro para tocar em um show.

Conheci o Nelson Barbosa, um dos maiores flautistas do país. Cara gente boa. Começamos

a ensaiar para o show que aconteceu no dia 30 de Novembro de 2000 no Centro Cultural

de São Paulo, ali na Rua Vergueiro. Foi o primeiro grande show em matéria de importância

que eu participei. Nunca me esqueço de como eu estava nervoso naquele dia...

 

Eu com Nelson Barbosa, gravando o programa Célia & Célma em 6 de Novembro de 2001

 

 

"Violla com 2 éles"

 

"Em meados do ano de 2001 eu estava tentando gravar meu primeiro CD. Tinha muita pouca

grana para ele e tinha que fazer milagre para poder gravar tudo a tempo. Comecei a pensar

em um nome artístico. Tinha uma sugestão: Zé Goiano o qual me simpatizava desde que eu

tinha começado a tocar viola, mas já existe muitos "zés" por aí. Então comecei a pensar em

algum nome que soasse legal. Todos me chamam de Junior e decidi então acrescentar

aquele "da Viola" ao nome, ficando assim "Junior da Viola". Minha esposa um dia assistindo

a um programa na TV que falava sobre numerologia, sugeriu que eu acrescentasse mais

um "L" no viola, ficando "violla" pois assim numerologicamente ( legal essa palavra né? )

falando o nome seria mais propício ao sucesso e coisa e tal. Pra falar a verdade eu curti

pois virou um trocadilho com meu sobrenome ( Ciambarella ) que tem 2 "L"s. E passei a

usar este nome artisticamente. Curiosamente foi a partir daí que as coisas começaram

mesmo a acontecer...

 

 

"O regente"

 

"Pouco tempo depois de ter gravado meu CD, eu saí da Orquestra Paulistana de Viola Caipira

e resolvi buscar meu objetivo. Em Novembro de 2001 eu montei a então Orquestra

Sinfônica Caipira, a minha orquestra de viola. No começo era apenas uma pálida

tentativa de querer chegar perto da "Paulistana", que na época já era uma das melhores

do Brasil. O primeiro show aconteceu na festa de fim de ano da escola de música

Pich & Bend, no dia 16 de Dezembro de 2001. Foi bem bacana, mas a dificuldade de

fazer com que aquilo crescesse era muito grande. De Janeiro de 2002 á Setembro daquele

mesmo ano, parecia que as coisas não andava. Fizemos neste intervalo 2 shows apenas.

Não conseguia trazer alunos para a orquestra. Ninguém se interessava e eu já estava

pensando em desistir. Foi quando eu entrei em uma banda chamada Nix Le Plix, no qual

eu toco baixo. Nunca me esqueço da primeira impressão que tive da banda: uma coisa

bem organizada, bacana, bem feita. E pensei comigo mesmo: poxa, porquê com a orquestra

não poderia ser assim. E foi!!! Pra começar, mudei o nome da orquestra, de "Orquestra

Sinfônica Caipira" para "Orquestra dos Violeiros de São Paulo", um nome bastante imponente.

De repente o número de integrantes dobrou de 8 para 17 em questão de 2 semanas.

Os shows começaram a aparecer aos montes. Foi uma época muito bacana, em que os

shows eram shows mesmo. Sentia muito prazer em estar ali, mas alguns meses depois,

a partir de Abril de 2003, as picuínhas, falsidades, disse-me-disse, fofocas maldosas

fizeram com que eu terminasse com a orquestra. Foi uma tristeza muito grande, talvez

uma grande frustação, no último show termos apenas 5 pessoas em cima do palco.

Aquilo com certeza me traumatizou um pouco...

 

A "Orquestra dos Violeiros de São Paulo", em show no Shopping Anália Franco

no dia 4 de Dezembro de 2002

 

 

"Em busca de seus ideáis"

 

"Com o fim da orquestra eu me deparei com um problema. Será que eu estava mesmo seguindo

o caminho que eu havia escolhido? Não estava muito feliz em subir no palco e tocar

sempre as mesmas músicas, dar aulas e tocar sempre as mesmas músicas. Sempre a

mesma coisa. De repente me vi e vi que não era eu ali. Queria voltar as origens, voltar

para a música que eu tanto amava. Nasci ouvindo Beatles, rock dos anos 80 como

RPM, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso. Ouvia sim música caipira na minha infância

e achava legal, mas o amor que eu tinha pelo disco "Abbey Road" dos Beatles quando

eu tinha apenas seis anos me mostrou que algo em mim estava errado. Porquê então

não buscar o que eu realmente queria. Sou violeiro e gosto de rock, dá pra entender ?

Já vinha a algum tempo desenvolvendo experimentos malucos com a viola. Sempre fui

inquieto e as coisas nunca estão boas do jeito que estão. Elas podem melhorar.

Na fase final da orquestra, eu levantei a ira dos mais puristas ao inserir na última

música que nós tocávamos ( Chora Viola, misturada com Coronél Antônio Bento )

um efeito de Wha-Wha na viola. Passei a usar uma pedaleira enorme com um

monte de efeitos. Em termos de sonoridade, não havia muitos problemas, pois na

orquestra ( diferente das outras ), nós tinhamos além das 15 violas de base, baixo, violão,

e quatro percussionistas, o que não tornava aquilo tão estranho. Mas creio que este

foi um dos motivos pelo fim da orquestra. Queria seguir um caminho que ninguém havia

seguido até então. Já havia feito um experimento em uma gravação chamada

"Caipira Texano" ( que você pode ouvir no link MP3 ). Nela inseri efeitos na viola, como

reverb e chorus. É um blues e a viola aceitou bem aquilo. Comecei a experimentar

novos efeitos como distorção por exemplo. Até que resolvi montar uma banda para

exprimir aquilo que eu queria passar. Mas daí achar quem topasse a idéia de uma banda

de rock que em vez de uma guitarra tivesse uma viola foi outra questão. Em Fevereiro de

2004 comprei em longas prestações meu objeto de desejo há muitos anos, um amplificador

Marshall de 100 W de potência. Consegui com alguns amigos montar o "Caipira Eletrico",

e me arrepio ao ouvir na gravação de nosso primeiro ensaio o som da viola uivando

através dos falantes do Marshall. Eu tinha reencontrado o meu caminho...o meu som.

 

 

"O garoto Bom Bril"

 

"Em Junho de 2005 fiz alguns shows com a cantora Sandra Vianna, já que no CD de estréia dela

eu tinha gravado a viola para a música Original, que dá nome ao disco. Em um desses shows,

um cantor chamado Marco Mendes bateu um longo papo comigo e me deixou um cartão seu.

Alguns dias depois ele me liga dizendo que ia fazer um show no Café do Bexiga e perguntou

se eu estava interessado em dar uma canja lá. Topei e perguntei pra ele o que iriamos tocar.

A resposta foi: "Ah, lá na hora a gente vê". Perguntei também qual seria a formação e ele disse:

 "São dois violões mais você na viola". Na hora pensei, tô me metendo em fria. No dia do show,

dia 17 de Junho de 2005 cheguei ao local e me deparei com o violeiro Miltinho Edilberto.

Já fiquei surpreso por isso, já que iriamos tocar juntos, mas a maior de todas as surpresas

veio depois. Quando fomos começar o show eu olhada descrente para nós quatro no

palco e pensava comigo mesmo...."vai ser uma b.... isso aqui". Quando começou a primeira

música, comecei a ouvir baixo, percussão, prato e quando olhei para o lado, um dos caras

que estava tocando com a gente tava fazendo tudo aquilo no violão!!! O cara sozinho era a

banda completa!!!! Eu parei de tocar, simplesmente não estava acreditando no que eu estava

vendo e ouvindo. As músicas iam saindo uma a uma no improviso. Foi um dos shows mais

bacanas que já fiz, contrariando tudo aquilo que eu havia pensado que seria.

 

 

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